domingo, 22 de janeiro de 2017

Uso correto do "H" em nomes próprios

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Não é uma dúvida incomum, quando se trata de nomes estrangeiros, ter dúvidas quanto à pronúncia ou à grafia. Uma das letras que mais causam dúvidas é o H. Hadassa, por exemplo, se pronuncia "hadassa" ou "adassa"? Qual a grafia correta, Henrique ou Enrique, Henrico ou Enrico? A resposta é: depende da língua.

Em português, H não tem som, como a gente aprendeu lá na primeira série, durante a alfabetização. Em espanhol também não (Hernando se lê "ernándo"). Em francês também não (Hughes se lê "ígue", esse I na verdade é um som entre o I e o U). O que acontece é que em nenhuma língua latina o H tem som no começo da palavra.

Mas atenção: em italiano, H não começa palavra a não ser no verbo “avere”. Então nenhum nome italiano começa com H!

Por sua vez, em inglês, o H se pronuncia (como um r aspirado): Harmony se lê rárh-mo-ni. Em alemão também (Hans se lê râns) - e o mesmo em todas as línguas de origem germânica, como o holandês.

O hebraico já é outro caso. Ele usa outro alfabeto, no qual há nada menos que três letras H, todas com sons, e com sons diferentes: o he, que soa como o H inglês, o heth, que soa como o J espanhol (mais ou menos como o rr em "carro"), e o khaf, que é um som vindo do fundo da garganta. O he também pode ser usado no final da palavra, e aí não tem som.

Já nas línguas celtas, a pronúncia varia: enquanto no bretão ele pode tanto ter o mesmo som do H inglês quanto ser mudo (dependendo do dialeto), no irlandês ele não existe de forma alguma como letra autônoma, funcionando apenas como sinal de alteração da letra (é complicado explicar: diversas consoantes irlandesas têm duas formas com pronúncias diferentes, antes elas eram indicadas com um fada - um acento -, mas na grafia moderna são indicadas com H).

Portanto, não existe uma regra geral para todas as línguas. O uso do H precisa ser observado para cada nome em cada idioma, de acordo com sua origem específica.

Um mesmo nome possui várias grafias dependendo da língua, e pronúncias diferentes em línguas diferentes. Voltando aos nossos exemplos: Hadassa se lê "radassa" em hebraico, mas "adassa" em português. No caso de Henrique, que na língua portuguesa se escreve assim e se lê "enrique", se escreve Enrique em espanhol, com quase a mesma pronúncia, e tem uma série de variações em outras línguas, como Enrico (italiano), Henry (inglês, que se lê rên-rhi), Henri (francês, que se lê ãnrí), Heinrich (alemão, que se lê ráin-rrik), Anraí (irlandês) etc.




** Shamaim (pseudônimo de uma de nossas colaboradoras) 
tem uma vasta experiência em nomes próprios, 
tendo estudado-os de modo autodidata ao longo de sua vida 
e participado por muitos anos de vários fóruns sobre 
o assunto, brasileiros e estrangeiros. Também possui 
vasto conhecimento em língua portuguesa e também 
sobre línguas estrangeiras, e atualmente, atua como moderadora






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Ataullah

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Ataullah é um daqueles nomes que tenho certeza que a grande maioria das pessoas nunca ouviu falar. Embora, numa primeira olhada, pareça ser um nome feminino – talvez por lembrar Talullah – é um nome árabe masculino.

Portanto, Ataullah significa “dom de Deus” do árabe عطاء ('ata) "presente" combinado com الله (Allah) "Deus". Há também a variante Atallah ou ainda, Ataollah. Seu uso moderno é apenas como sobrenome de árabes cristãos e muçulmanos.

Pelo significado, é semelhante à Dorotéia, Teodoro e Teodora, e (praticamente) Natanael (que não significa presente de Deus, mas sim, Deus tem dado, o que dá no mesmo). É um nome desconhecido no Brasil, mesmo entre a comunidade árabe acredito que seja pouco usado.

Referências:

Sultan Ataullah Muhammad Shah I (1422-1472), sultão de Kedah;
Sultan Ataullah Muhammad Shah II (1687-1698), sultão de Kedah;
Attallah Suheimat (1875-1965), político jordaniano;
Syed Ata Ullah Shah Bukhari (1892-1961), líder religioso e político indiano;
Qazi Ataullah Khan (1895-1952), político paquistanês;
Ataullah Mengal (nascido em 1929), ministro-chefe do Baluchistão, no Paquistão;
Ataullah Bogdan Kopanski (nascido em 1948), historiador de origem polonesa;
Ataollah Salehi (CA nascido 1950), comandante-em-chefe do Exército iraniano;
Attaullah Khan Esakhelvi (nascido em 1951), cantor popular do Paquistão;
Ata'ollah Mohajerani (nascido em 1964), o historiador iraniano, político, jornalista e autor;
Ataullah Guerra (nascido em 1987), jogador de futebol de Trinidad;

Ataullah (críquete), (nascido em 1986) jogador de críquete paquistanês;



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sábado, 21 de janeiro de 2017

Astra



Astra é um nome feminino raro, que significa “estrela”, em última análise, a partir da palavra grega “aster”. Esse nome tem sido muito raramente usado desde o século XX. Na mitologia grega, temos os cognatos Astraea e Astraia.

Uma portadora notável do nome é Astra Biltauere, medalha de prata no Voleibol feminino nos Jogos Olímpicos de 1964.

É um nome bastante original, mas algumas pessoas podem estranhar por conta do carro Astra, fabricado e vendido aqui no Brasil, bem como parecer um feminino de “astro”, mas ambas as coisas não são necessariamente ruins. O que eu gosto particularmente em Astra é a terminação incomum, e uma certa característica etérea, que dão uma impressão de realeza e grandeza.

De certo modo, ele se parece um pouco com Astrid. Não gera nenhuma dúvida de pronúncia, nem de escrita, portanto é uma boa alternativa para a língua portuguesa. Para quem não encontra coragem para usá-lo como primeiro nome, pode aproveitar-se do seu maravilhoso significado usando-o como 2º nome em um composto. Me ocorreu ao escrever esse post algo como Nicole Astra, ou seja, nomes de uso moderno e popular associados à Astra, que é incomum.


Para quem ainda prefere os nomes mais tradicionais, há outros nomes que significam estrela, por exemplo: Danica, Dara, Stella, Estela, Estelle, Esther, Estrela, Izar, Seren, Sitara, Steren, Tara e o indígena tupi-guarani Tainá.



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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Astarte

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Astarte ou ainda Ashtoret são as formas hebraicas do nome da deusa fenícia do amor, da guerra e da fertilidade. O nome dela é aparentado ao da deusa babilônica Ishtar, de significado desconhecido. Ela foi chamada Ashtoreth pelos fenícios, e também foi identificada com a deusa sumeriana Inanna.

As variações do seu nome incluem Asterate, Asterath, Astarote, Astorate, Asterote, Astorete, Astartes, Astartéia, Asera, Ishtar, Baalat. Ela seria filha de Baal, irmã gêmea de Camoesh (Camos) e esposa de Tamuz. Os seus rituais eram vários, indo desde ofertas corporais de teor sexual e adoração de imagens ou ídolos. O seu principal culto ocorria no equinócio da primavera e era a época de grandes celebrações sobre fertilidade e sexualidade.

A própria questão da sexualidade e erotismo em torno do seu culto fazia de Astarte uma deusa muito adorada entre os povos da época, exatamente pelo seu teor. Inclusive o Rei Salomão adorava essa deusa, contrariando o seu Deus único (1 Reis 11:5).

Na mitologia grega, Astarte foi associada com Afrodite, na mitologia romana com Vênus e na egípcia, com Ísis e por vezes, com Hathor.

Astartea é um género botânico pertencente à família Myrtaceae. O seu nome provém de Astarte, que é identificada com Vênus, e de fato as murtas são plantas dedicadas à Vênus.

Enquanto nome próprio, acredito que Astartea ou Astarteia soam melhor, mas Astarte não deixa de ser um nome interessante e com conexões mitológicas e históricas muito interessantes. 





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Yamã

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Ao ter um contato bem grande com o nome Cauã, a gente automaticamente passa a associar Yamã como um nome indígena originário da mesma língua. Não encontrei em lugar algum o significado de Yamã na Internet, mas pesquisando encontrei o Yaguarê Yamã, que é um escritor, militante do movimento indígena e professor de origem indígena, que nasceu no Amazonas, do povo Maraguá. Ele é autor premiado de dez livros, e além disso, ele é ilustrador e artista plástico. 

Então, enviei um e-mail para Yaguarê Yamã, que me respondeu prontamente. Ele nos diz que Yamã não é um nome próprio na língua indígena falada pelo seu povo, a não ser que alguém o crie com essa finalidade. Yamã, segundo ele, significa "clã" ou "tribo", como divisão de uma sociedade. Por exemplo, quando diz-se "çe yamã" traduz-se como "minha tribo, minha família". Ele ainda explicou que o nome dele, Yaguarê Yamã, significa "tribo de onças pequenas". 

Apesar de usar só essa parte do nome, seu nome completo é Ozias Gloria de Oliveira Yaguarê Yamã.

Yaguarê Yamã foi encantador com sua resposta, então queremos agradecer imensamente pela sua colaboração ao Blog Por Trás do Nome. Deixamos aqui links para que você visite e conheça seus trabalhos como artista e escritor:

Biografia
Blog
Facebook
E-mail: yaguare@yahoo.com.br 

Segundo o IBGE, temos 60 pessoas no Brasil chamadas Yamã - por suposição, pois o IBGE não separou os nomes por acentuação, e algumas dessas pessoas pode se chamar Yama - sendo que a grande maioria nasceu nos anos 90, assim sendo, um nome de uso moderno. 

A primeira informação que o Google nos dá sobre Yamã é uma música do grupo Raízes Caboclas, cuja letra reproduzo aqui:


Yamã
Raízes Caboclas
  
Das tabas guerreiras
rufa tamurá
aldeias inteiras
um canto no ar.
Ressoam as preces
nas penas das flechas
dos filhos da mata
temidos na guerra
repousa o arco
guerreiros tupi.

Huruê, huruê, huruê
Ariê, ariê, ariá (BIS)

Tua voz, ó trovão
traz o vento nas mãos
O brilho do raio teu olhar
Do relâmpago a luz
rasgando os céus
Matas, ar, rios e mar
Soa feroz
como a onça a rugir
levanta a nação Tupi
explode o canto guerreiro.

Iuaçanã!...
Flautas que exaltam Tupã. (BIS)

Cantos que encantam os cantos
por todos os cantos irão ressoar
deus Tupã.




Uma curiosidade: No hinduísmo, Yama é o senhor da morte. O nome Yama, em sânscrito, pode ser interpretado pelo significado de "gêmeo", pois em alguns mitos ele faz par com sua irmã gêmea Yamī. Logicamente, Yama tem outra pronúncia.




quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Hannelore

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Surpreendentemente, Hannelore é o nome de 142 pessoas no Brasil, sendo que a maior frequência é no estado de Santa Catarina, e os nascimentos ficaram todos entre 1930 a 1960, com destaque maior na década de 40. Em Santa Catarina, nessa mesma época ainda tem 170 pessoas chamadas Anelore (19 delas estão no Rio Grande do Sul), e Annelore que tem 26 pessoas.

Supostamente, podemos dizer que Hannelore e as duas variantes são existentes no sul do Brasil por conta da imigração, já que é um nome feminino alemão, uma combinação entre Hanne e Eleonore. Hanne é uma forma alemã e holandesa abreviada de Johanna, em si uma forma feminina de Iohannes (isto é, João), que significa “Deus é gracioso” e Eleonore, que não tem significado conhecido.

Quanto à popularidade atual pelo mundo, Hannelore só aparece no ranking suíço, pela última vez, em 1941, no 100º lugar. Na Alemanha, ele foi extremamente popular há cerca de 50 anos atrás, mas agora é pouco usado.

Na novelinha Chiquititas, exibida em 1997, a atriz Sthefany Brito fazia Hannelore, uma vilã. A personagem não apareceu na versão de 2013. 



Referências:

Hannelore Elsner, atriz alemã;
Hannelore Kohl, ex-primeira dama alemã;
Hannelore Kraft, política alemã;
Hannelore Rönsch, política alemã;
Hannelore Schmatz, alpinista alemã;

Hannelore Knuts, modelo belga;



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Ascención

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Ascensión é um nome feminino de uso em espanhol, que significa literalmente “ascensão” em Espanhol. Ascensão é sinônimo de subir, elevar. Esse é um nome de cunho religioso, dado em honra à ascensão de Jesus Cristo ao céu, uma expressão que vem desde as primeiras comunidades cristãs para se referir à glorificação que Cristo recebeu após sua morte, pelas mãos de Deus, seu pai.

Vários livros canônicos citam esse episódio, como por exemplo, no caso do Livro de Marcos: «Depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e sentou-se à destra de Deus. » (Marcos 16:19)

Tanto que há o Dia da Ascensão, festa cristã em que a ascensão de Jesus de Nazaré é celebrada, tradicionalmente comemorado numa quinta-feira, o quadragésimo dia após a Páscoa. No Brasil, Porém, algumas províncias católicas romanas mudaram a data para o domingo seguinte. A festa é uma das festas ecumênicas (ou seja, celebradas universalmente), com o mesmo status das festas da Paixão, da Páscoa e o Pentecostes.

Ascensión parece ser um nome de uso exclusivamente espanhol, já que não temos notícia de seu uso em outras línguas. Temos variações citadas na Wikipédia: Ascensió (catalão), Igone (basco), Ascension (francês), Ascensione (italiano), Ascensio (latm), Ascensão (português).

Em espanhol, esse nome é usado para mulheres e homens, mas é provável que o uso no masculino tenha sido extinguido há um par de décadas atrás. Um exemplo é Ascensión Esquivel Ibarra, presidente da Costa Rica entre 1902 e 1906, que era homem.



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