quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Tâmara

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Não é o mesmo que Tamara, que eu e quase todo mundo lê Tamára. É Tâmara, e na minha opinião, mil vezes mais legal e elegante. Na lista da Arpen/SP de 2015 tivemos apenas 1 Tâmara – com o uso devido do acento – e na ferramenta do IBGE, não temos como saber, pois a pesquisa não diferencia nomes acentuados dos não acentuados.

No Brasil, segundo a ferramenta Nomes no Brasil (IBGE, Censo 2010), são 49.093 pessoas chamadas Tamara. Infelizmente, não temos como saber quantas delas são acentuadas e quantas possuem a pronúncia Tâmara, mesmo sem acentuação. Assim, ficamos devendo a informação.

Tamara é um nome do sexo feminino, que se trata da forma russa de Tamar. Tamar, por sua vez, significa “palmeira” ou "tamareira" em hebraico. As frutas da tamareira são chamadas de "tâmaras", assim sendo, esse é o nome mais legal por que como Amora, é o nome da fruta em si. Não é apenas por ser uma fruta saborosa e tudo mais, mas pelo fato da Tâmara ser uma planta histórica e cheia de simbologias.

O site www.tamaras.com.br diz que Tâmara, em árabe, significa realmente dedo de luz (douglat nour), lembrando a forma e a transparência luminosa dos frutos da tamareira.

Se diz que um beduíno resiste três dias de marcha com uma tâmara: “No primeiro come a pele, no segundo dia o fruto e no terceiro o caroço” O que para nos pode ser uma sobremesa ou uma iguaria, no deserto faz possível a vida. Por isso as tamareiras são objeto de veneração ali onde se cultivam. Simbolizam a união entre céu e terra, sua presença junto às casas é sinal de hospitalidade. É a palmeira que inspirou as colunas dos templos, o pilar do céu, segundo afirma a palavra grega phoenix. Em muitas mesquitas, como em Córdoba, as colunas lembram a forma das palmeiras. E nas paisagens mais áridas, o doce do seu fruto evoca o paraíso.

A tamareira (do árabe التمر "tamar" [1]) ou datileira (Phoenix dactylifera) é uma palmeira extensivamente cultivada pelos seus frutos comestíveis, as tâmaras. Pelo fato de ser cultivada há milênios, a sua área natural de distribuição é desconhecida, mas seria originária dos oásis da zona desértica do norte de África, embora haja quem admita uma origem no sudoeste da Ásia.

Aliás, diz-se que os egípcios comiam – e será que ainda comem? – tâmaras antes de fazerem amor, porque eram consideradas símbolos da fecundidade e fertilidade. A tamareira era considerada uma árvore sagrada.

Conforme o livro No Rastro de Afrodite – Plantas Afrodisíacas e Culinária do autor Gil Felippe:

A tamareira é considerada árvore sagrada e mágica há milhares de anos. Além do fruto comestível, ela também é fonte de azeite e madeira, praticamente todas as suas partes podiam ser aproveitadas. Era cultivada já há 8 mil anos atrás na Mesopotâmia, principalmente pelo povo Fenício. Era representada pelos cartagineses nas moedas de dinheiro e monumentos, usada como ornamento pelos gregos e romanos durante celebrações triunfais. No Egito, a tamareira era uma árvore sagrada e a folha era o símbolo do deus Heh, que representava a eternidade.
Mais tarde, passou a ser o símbolo da fecundidade, fertilidade e da vitória. Na tradição cristã, as folhas são um símbolo de paz e lembram a entrada de Jesus em Jerusalém. Também aparece como símbolo de alguns santos, como São Paulo, o Eremita, e São Cristóvão, além do arcanjo Miguel e também é o símbolo do Jardim do Paraíso. Na Mesopotâmia, a seiva da árvore era extraída e dela feita a fermentação de uma bebida dita afrodisíaca, que era o vinho da tamareira. Da destilação da seiva é feito o áraque.


Diante disso tudo, acho que Tâmara é um ótimo nome literal para nomear uma menina, evocando todas essas qualidades, história e simbologia. Tamara com a pronúncia usual Tamára, não deixa de ser um nome bonito, mas Tâmara tem um encanto todo especial. 




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