quinta-feira, 9 de março de 2017

Nomes de Bruxas - Parte IV

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No nosso quarto e último post sobre "Nomes de Bruxas", depois de ter trabalhado a onomástica na mitologia, ficção, representação, contos de fadas, etc, temos que nos lembrar de um episódio escuro e triste da humanidade. O momento em que, inspirados pela obra "O martelo das bruxas", o clero católico medieval instituiu a Santa Inquisição, para caçar, julgar e executar pessoas - homens e mulheres - acusados de crimes contra à Igreja.

Essas mulheres eram acusadas de coisas absurdas, torturadas até que confessassem tudo, julgadas sem a mínima justiça e condenadas à execução, geralmente a queima na fogueira. Aliás, como dito no primeiro post, é do verbo "bruciare" (queimar) que vem a palavra bruxa.

Como dito na revista Super Interessante, “Durante mais de 300 anos, a mesma Europa que viu nascer a Idade Moderna e presenciou feitos como a conquista do Novo Mundo, a ascensão da burguesia comercial e o fim do domínio feudal, fez das fogueiras um instrumento de repressão e morte para milhares de mulheres condenadas por bruxaria”.

Vamos conhecer – e honrar a memória – o nome de muitas das mulheres acusadas e queimadas por bruxaria na Europa Medieval (e pasmem) até os dias modernos, em lugares distantes do mundo.


As “bruxas reais”
Mulheres condenadas e executadas por bruxaria


Hipátia – Alexandria, Egito (415 d.C), aos 60 anos, atacada e torturada até a morte por uma multidão cristã.

Angèle de la Barthe – Toulouse, França (1275), 45 anos, acusada de ter mantido relações sexuais com o diabo e ter dado à luz a um bebê monstro, queimada viva. 

Petronilla de Meath – Condado de Meath, Irlanda (1324) – Foi acusada de ser cúmplice de Alice Kyteler, de quem era serva, quando o marido da patroa faleceu. Por se tratar do quarto casamento de Alice, o Bispo de Ossory, Richard de Ledrede, acusou-a de recorrer à métodos de bruxaria para enriquecer e assassinar seus maridos. Para incriminar Alice Kyteler, Petronilla foi torturada até confessar que ela e Alice praticavam bruxaria e feitiçaria. Foi queimada viva na fogueira, junto a outros servos. Com a ajuda de parentes, Alice Kyteler fugiu.

Matteuccia de Francesco – Deruta, Italia (1428) - Conhecida como “Bruxa de Ripabianca”, confessou ter voado nas asas de um demônio. Foi acusada de ser prostituta, ter cometido profanação com outras mulheres, vender poções do amor e pomada medicinal feita com sangue de recém-nascidos. Foi queimada até a morte. Seu julgamento foi um dos primeiros a serem documentados na Úmbria.

Joana d’Arc – Rouen, França (1431) - Heroína nacional da França, foi presa e condenada à morte na fogueira, por acusação de assassinato e heresia. Tempos mais tarde, a Igreja Católica reconheceu o erro e a canonizou Santa e venerável.

Agnes Bernauer – Munique, Alemanha (1435) - Filha de um barbeiro, envolveu-se amorosamente com o Duque Albert III, com quem se casou em segredo. O matrimônio não foi aprovado pelo rei Ernesto, que aproveitou-se da ausência de seu filho na corte, em 1435, e mandou prendê-la, acusando-a de bruxaria e feitiçaria. Ela foi jogada no Rio Danúbio e morreu afogada.

Gracia la Valle – Saragoça, Espanha (1498) – a primeira execução por acusação de bruxaria na Espanha.

Mark Antony Bragadini – Perugia, Itália (1500) – acusada de feitiçaria e bruxaria, foi decapitada.

Lasses Birgitta – Oland, Suécia (1550) – A primeira mulher executada por bruxaria na Suécia, decapitada.

Sipinpoika Rasmus – Loimaa, Finlândia (1554) – Acusada de feitiçaria e bruxaria, foi decapitada.

Blanca Severo Luna – Granada, Espanha (1572), Blanca foi acusada de ter visões, falar com os mortos e fazer previsões, assim como suas três filhas que conseguiram fugir. Segundo seus vizinhos era constantemente visitada por demônios e fazia poções para finalidades de sedução, cura e morte. Confessou sob tortura que duas das filhas eram de um demônio, foi condenada ser queimada viva.

Agnes Waterhouse – Chelmsford, Inglaterra (1566) - Primeira pessoa executada por bruxarina na Inglaterra, foi acusada de bruxaria junto com outras duas mulheres, Elizabeth Francis e Joan Waterhouse. A acusação consistia num possível encantamento de William Fynne, que resultou em sua morte. Agnes foi enforcada.

Elisabeth Plainacher – Viena, Áustria (1583) - Anna, uma de suas netas, sofria de epilepsia, o que era visto como um sinal do Diabo. Elisabeth foi apontada como responsável pela doença de Anna. Ela foi levada à Viena e interrogada por um jesuíta. Sob tortura, confessou ser uma bruxa e foi condenada à morte na fogueira.

Dora Golub – Zagreb, Croácia (1585) - Acusada de feitiçaria e bruxaria. Foi condenada à morte na fogueira.

Anna Koldings – Copenhague, Dinamarca (1590) - A Dinamarca sofria com inúmeras tempestades naquele ano, o que levou a uma grande Caça às Bruxas no reino, por acreditar-se que os fenômenos eram associados à bruxaria. Anna Koldings foi uma das principais pessoas apontadas como bruxas. Ela confessou, sob tortura, que enviou pequenos demônios para o Mar na tentativa de afundar o navio do rei James VI. Passou a ser vista como uma bruxa muito perigosa e apelidada como "Mãe do Diabo". Foi executada na fogueira.

Marigje Arriens – Schoonhoven, Países Baixos (1591) - Uma das mais conhecidas vítimas da Caça às bruxas na Holanda, foi condenada e queimada viva após ser acusada de bruxaria por um idoso.

Merga Bien – Fulda, Alemanha (1603) – Vítima mais conhecida do julgamento das bruxas de Fulda, foi queimada viva.

Nyzette Cheveron – Ardenas, Bélgica (1605) - Foi presa por acusação de bruxaria e interrogada violentamente. Em sua confissão, afirmou ter um "diabo de estimação" chamado Verdulet. Em 21 de março de 1605, foi estrangulada e queimada.

Joan Flor, e suas filhas Margaret e Philippa – Vale de Belvoir, Inglaterra (1618) - foram acusadas de bruxaria pelo Conde e a Condessa de Rutland, após os dois filhos homens do casal falecerem. Joan morreu na prisão, enquanto Margaret e Philippa foram enforcadas.

Wolde Albrechts - Strzmiele, Pomerânia (1619) - Possivelmente de origem cigana, confessou práticas de bruxaria sob tortura, onde acusou Sidonia von Borcke, membro da nobreza pomerana. Foi condenada por Teufelsbuhlschaft (relações sexuais com o Diabo) e queimada na fogueira em outubro.

Sidonia von Borcke – Strzmiele, Pomerânia (1620) - De família nobre na Pomerânia, foi acusada de 72 crimes, entre eles bruxaria, práticas de magia, adivinhação do futuro e Teufelsbuhlschaft (relações sexuais com o Diabo). Confessou os crimes sob tortura, mas desmentiu-os e foi torturada novamente, resultando numa confissão definitiva. Foi decapitada e queimada.

Anne de Chantraine – França (1622) - Acusada de bruxaria e queimada viva em Waret-la-Chaussée aos 17 anos.

Elizabeth Clarke – Essex, Inglaterra (1645) - A primeira mulher perseguida pelo General Matthew Hopkins. Tinha 80 anos, apenas uma perna e verrugas espalhadas pelo corpo, identificadas pelo general como "a marca do Diabo". Confessou ser bruxa depois de ter sido privada de sono por várias noites, sendo enforcada posteriormente.

Alse Young – Windsor, Treze Colônias (1647) - De acordo com os registros, a primeira pessoa a ser executada por bruxaria nas Américas.

Michée Chauderon – Genebra, Suíça (1652) - Confessou sob tortura invocar demônios e foi a última pessoa executada por bruxaria em Genebra.

Ann Hibbins – Boston, Nova Inglaterra (1654) - Ann Hibbins ganhou uma ação judicial que havia movido contra um grupo de carpinteiros. A ação foi mal vista pela igreja local, e ela foi excomungada. Pouco depois, seu marido morreu e ela foi acusada de bruxaria pela igreja, sendo condenada e enforcada.

Brita Zippel e Anna Zippel – Estocolmo, Suécia  (1676) - Um dos julgamentos mais famosos naquele século na Suécia, Brita e Anna Zipel eram irmãs. Brita já havia enfrentado dois julgamentos anteriores sob a mesma acusação, de bruxaria, o que a fez perder sua riqueza e isolar-se da elite da cidade. Anna permaneceu vivendo na elite de Oslo. As acusações de bruxaria que cercavam Brita estenderam-se à toda a família, e Anna foi levada a julgamento no mesmo dia em que Brita enfrentou seu terceiro julgamento pela mesma acusação. As duas irmãs foram condenadas e decapitadas.

Marie Bosse – Paris, França (1679) - Condenada à morte na fogueira por estar associada ao Caso dos Venenos

Catherine Deshayes – Paris, França (1680) - Principal ré do Caso dos Venenos, que ficou muito conhecido por envolver aristocratas da França, uma das quais era Madame de Montespan, amante do rei. Foi condenada à morte na fogueira.

Mima Renard  - São Paulo, Brasil Colônia (1692) – Prostituta, foi acusada pelas mulheres de seus clientes de enfeitiçar os homens, sendo queimada viva.

Anna Eriksdotter – Eskilstuna, Suécia (1704) - Acusada por Nils Jonsson de ter lhe causado cegueira, mudez e surdez pelo uso de magia. Foi condenada e decapitada.

Margareta Korenika - Turopolje, Croácia (1733) - Integrou um grupo de dezenas de mulheres croatas condenadas à morte na fogueira, entre 1733 e 1734, acusadas de bruxaria. Foi uma das principais integrantes deste grupo.

Helena Curtens – Gerresheim, Alemanha (1738) - Foi presa depois de contar aos vizinhos que recebia a visita do espírito de uma menina de 14 anos, que havia falecido. Foi exposta a tortura, onde confessou também ter tido relações sexuais com um demônio. Foi levada à fogueira.

Ursulina de Jesus – São Paulo, Brasil Colônia (1754) - Acusada por seu marido de retirar a sua virilidade, evitando que ele tivesse filhos. Foi executada na fogueira.

Anna Göldi - Glarona, Suíça (1782) - Foi acusada por Jakob Tschudi, de quem era serva, de colocar agulhas no pão e leite de uma de suas filhas, em um ato de feitiçaria. Confessou sob tortura ter realizado pacto com Satanás, que apareceu a ela na forma de um cachorro preto, mas retirou a confissão após o fim das torturas. Ainda assim foi condenada e decapitada.

Giovanna Bonanno – Palermo, Itália (1789) - Era viúva e mendiga. Recebeu acusação de vender poções e venenos à mulheres que queriam matar seus maridos. Ela foi executada por enforcamento em 30 de julho.

Maria da Conceição – São Paulo, Brasil Colônia (1798) - Acusada e condenada por bruxaria por produzir remédios e poções que pudessem atrair homens.

Mary Bateman – Iorque, Inglaterra (1809) - Acusada de fraude e assassinato, confessou ser uma cartomante. Foi condenada à forca, mas evitou sua execução alegando estar grávida. Passou por exames físicos, que comprovaram sua não-gravidez, sendo enforcada em seguida.

Barbara Zdunk - Rößel, Polônia (1811) - Um incêndio de grande proporção assolou a cidade de Rößel, em 1806. Barbara Zdunk foi responsabilizada pelo incêndio, devido a seu gosto por magia. Foi presa em 1807 e executada quatro anos depois, na fogueira.

Helen Duncan – Edimburgo, Escócia (1956) - Espírita, alegou ter recebido a visita do espírito de um marinheiro inglês em 1941, anunciando que ele havia morrido durante a Segunda Guerra Mundial, após o naufrágio de um navio chamado HMS Barham. O navio, que estava desaparecido, foi oficialmente declarado perdido vários meses depois. Por esta razão, foi presa em 1944 sob a acusação de bruxaria. Seu julgamento foi muito divulgado pela mídia e amplamente coberto pelos jornais. Ela foi condenada a nove meses de prisão pelas acusações sobre a Lei de Bruxaria. Em novembro de 1956, foi novamente presa por acusações de bruxaria e morta em 6 de dezembro do mesmo ano.

Mara`i al-Naqshabandi – Riade, Arábia Saudita (1996) - Uma das poucas pessoas na Arábia Saudita onde a lei da bruxaria foi aplicada no século XX

Uppala Pochaiah - Kothapalli, Índia (2000) – espancada até a morte em Kothapalli.

Amina Abdul Halim Salem Nasser – Al Jawf, Arábia Saudita (2011) - Foi presa em 2009 sob acusação de feitiçaria e bruxaria, prática vista como uma ameaça ao Islã. A Anistia Internacional (AI) fez campanha para que ela e outros sauditas com asusações de bruxaria fossem inocentados. Amina foi decapitada dois anos após ter sido presa.

Maili Tamang e Kanchhi Tamang - Sindhupalchok, Nepal (2013) - Acusadas de praticar magia negra contra outros moradores. Foram arrastadas para um monastério budista, espancadas, torturadas e obrigadas a ingerir fezes humanas até a morte

Dhegani Mahato – Chitwan, Nepal (2012) - Queimada viva após ser acusada por um xamã de ser uma bruxa e de ter enfeitiçado um parente que tinha ficado doente

María Verenice Martínez – Santa Bárbara, Colômbia (2012) - Acusada de realizar supostas bruxarias contra mulheres de sua comunidade. Recebeu um golpe na cabeça, foi despida e depois queimada.

Kepari Leniata – Mount Hagen, Papua-Nova Guiné (2013) - Acusada de bruxaria por populares, foi atacada por uma multidão, despida, encharcada de petróleo e queimada viva em uma fogueira feita por pneus.

Magdalena Francisco - Huehuetenango, Guatemala (2013) - Acusada de praticar bruxaria por vizinhos. Morta a pedradas e espancamento

Fabiane Maria de Jesus – Guarujá, Brasil (2014) - Um site publicou uma falsa notícia, utilizando um retrato falado de um caso criminal ocorrido no Rio de Janeiro, acusando a mulher retratada como sendo sequestradora de crianças para a prática da bruxaria e rituais de magia negra no litoral de São Paulo. Uma página da rede social Facebook divulgou essa imagem, que foi associado por populares à Fabiane Maria de Jesus. Ela foi cercada por uma multidão, espancada e torturada. Morreu horas depois. Sua inocência foi provada posteriormente;

Adolfina Ocampos – Aldeia Tahehyi, Paraguai (2014) - Indígena da etnia Guarani, foi acusada de realizar magia contra sua irmã, que adoeceu. Foi afogada em um córrego pelos líderes indígenas, e queimada em seguida.







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