sábado, 1 de agosto de 2015

Constantine



Provavelmente, a foto acima juntamente com o título do post vai causar polêmica: como assim, Constantine, um nome feminino?

Realmente, no uso internacional, Constantine é um nome do gênero masculino, deriva do latim Constans e quer dizer “constante, firme”. Porém, meu local de locução no momento é o Brasil e aqui, dificilmente um nome terminado em “ine” seria considerado masculino.

Um pobre menino chamado Constantine ou Valentine aqui seria zoado para o resto da vida, pois a terminação “ine” é consensualmente considerada feminina.  

Bem, o imperialismo norte-americano nos fez copiar muita coisa dos Estados Unidos. Modas, tendências, comportamentos, padrões de consumo e tantas outras coisas que foram introjetadas na cultura brasileira pela mídia e pela indústria cultural. Nada mais natural que exista uma adesão a tendências em outros níveis, como em relação a nomes próprios.

Nos Estados Unidos, não é novidade usar nomes masculinos para meninas e vice-versa. São vários nomes que originalmente seriam do gênero masculino e lá se tornaram de uso unissex. A verdade é que o povo norte-americano não liga muito para essa questão de gênero no sentido de “rosa é rosa”, “azul é azul”.

Nesse sentido, são usados Parker, Harper, Morgan, Madison, etc. tanto para menina quanto para menino. O nome da filha da Drew Barrymore, por exemplo, é Frankie Barrymore Kopelman. E ainda, Ryan Reynolds, ator canadense, tem uma filha chamada James (isso mesmo, James).

E eu, como uma boa mente revolucionária e feminista não posso deixar de concordar. Acho que se o nome não beirar o obviamente masculino, com terminações fechadas para homem, buscar esse tipo de nome não é algo a ser desencorajado. Talvez até, seja uma nova tendência a ser valorizada em âmbito de Brasil – afinal, em Portugal, sendo um país europeu bastante tradicional, as mudanças mais radicais não são bem vistas pela sociedade.

Mas é preciso pensar em pessoas, não em gêneros. Então, se uma mãe quer usar Constantine para uma menina, por que devemos torcer o nariz ou tentar impedir? Até mesmo a moda 2015 está valorizando imensamente os looks unissex, e com isso as funções das “roupas de homem” e “roupas de mulher” estão perdendo fora e caindo em zonas neutras, servindo a tudo e a todos, basta comprar e vestir. Sem limitações: absolutamente democrático.

Quanto aos nomes, acho que essa moda vai pegar e rápido. Portanto, sim, eu usaria Constantine em uma menina, sem remorso algum, afinal, como bem colocado pela Paula Ramos F. Dabus em artigo para o site Guia do Bebê, “Nome masculino ou feminino é mais uma questão cultural do que uma regra” (Leia o Artigo completo aqui).

Esse tipo de situação que desafia as convenções e imposições sociais não lhes dá um gostinho de desafio e liberdade na boca? A palavra é revolucionar, rebelar-se contra as instituições socialmente impostas, insubordinar-se a elas. Nada mais tentador. 

E no caso de Constantine, nem é uma subversão tão óbvia: entre os leigos no assunto, passaria como feminino numa boa, tanto quanto Dominique que na França é um nome masculino mas no Brasil é aceito massivamente como feminino. 



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