domingo, 6 de novembro de 2016

Angerona

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Angerona é um nome romano. Como a maioria dos nomes de origem etrusca, seu significado é desconhecido. Angerona era a deusa romana do solstício de inverno, da morte e do silêncio. O seu festival era chamado de Angeronalia e celebrado no dia 21 de dezembro, quando sacerdotes ofereciam sacrifícios à ela, que geralmente era representada em forma de estátuas que tinham a boca enfaixada e o dedo pressionado nos lábios exigindo silêncio.

Estudiosos associam o nome da deusa à palavra “angina”, que vem do verbo “angere”, que significa “oprimir, apertar, atormentar”, e hoje nomeia uma doença cardíaca, que tem justamente esses sintomas, ou seja, dor intensa no peito que se manifesta por dificuldades de respiração. É causada pelo estreitamento das artérias que conduzem sangue ao coração.

A dor e a angústia causadas pela falta de luz e pelo frio no inverno são chamadas de “angor”, e no latim, a palavra Angustiae, da qual deriva “angústia”, teriam a ver com o nome da deusa Angerona e suas qualidades, ou seja, ajudar os homens a superarem os desagrados do inverno, dar-lhes o sossego da morte quando a doença e sofrimento lhes eram insuportáveis, entre outros.

Também considera-se que o nome das deusas romanas que terminam no sufixo –ona denotariam a função de ajudar seus adoradores a superar um determinado tempo ou condição de crise, exemplificando com Belona (permite atravessar a guerra da melhor forma possível), Orbona (que ajuda os pais que perderam um filho), Pellonia (que empurra os inimigos para longe), Fessonia (que permite aos viajantes superar o cansaço), Pomona (que ajuda na produção de frutas em abundância), etc.

As duas sílabas iniciais são comuns à Ângela, Angelina, Angélica, Angelita, e tantos outros, o que deve dar alguma familiaridade ao nome, considerando que a princípio, ele parece áspero, brusco, até mesmo um tanto violento.

Mas as duas sílabas finais é que dão a tonalidade excêntrica ao nome: para começar, nomes femininos terminados com “ona” são desapreciados em sua totalidade no Brasil. O único nome que aparece na lista da Arpen/SP de 2015 é Leona, e o caso é finito por aí. O que eu mais gosto, sem sombra de dúvida, é Fiona, então, para mim Angerona não soa tão farpado. Nomes terminados em –rona são mais raros ainda, para não dizer inexistentes.

Angerona é um nome sem dúvida atrevido, sem precedentes, difícil até de falar sobre ele muito além das nossas próprias impressões. Eu não acho que ele chegue a ser grosseiro, duro, bruto, mas é com certeza um nome do qual dificilmente alguém se esqueceria. É daquelas nomenclaturas que deixam marcas profundas, e mesmo que se passe 10 ou 20 anos, as pessoas lembram do indivíduo que conheceram, só pela sensação de individualidade e até mesmo de estranhamento que o nome proporciona.

Minhas impressões, entretanto, estão muito mais ligadas ao universo hippie e literal: Angerona é quase igual em grafia e pronúncia à manjerona, uma erva muito apreciada para temperos e até mesmo, chás e benzeduras.


Angerona também é um gênero de traça na família Geometridae. Geograficamente, Angerona é o nome dado a uma comunidade independente de Jackson County, na Virgínia. 



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