quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Liselotte

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Um ar medieval com traços de nobreza: é assim que vejo Liselotte. É um nome que parece existir para ter um “lady” como pronome de tratamento. É claro que é um pouquinho complicado o seu uso em português, mas nada que um pouquinho de paciência e treino não dê jeito. Charlotte já é usado por aqui, embora raramente, e sem maiores complicações.

Descobri esse nome quando estava pesquisando sobre Lilo, e foi um achado novo para mim, uma descoberta, já que jamais tinha ouvido falar dele. Achei-o absolutamente encantador, um nome digno de princesa! Aliás, se a filha de William e Kate chamasse Elizabeth Charlotte Diana, poderia muito bem ser chamada de Liselotte. Fascinante!

É inegável que fiquei caída de amores por Liselotte, e adoraria ver uma pequena chamada assim. Talvez não no Brasil, onde a pronúncia ficaria um pouquinho diferente do que é devido, mas quem sabe, para uma filha de brasileiros morando no exterior?

Liselotte é uma junção de Lise e de Charlotte. Bem, temos então o significado de Charlotte que é “homem”, combinado com Lise, que é um diminutivo de Elisabeth, que significa “meu deus é abundância” ou “meu deus é juramento”. Bem, o significado não é importante para muita gente, desse modo, espero que você possa ignorar que Liselotte não possui um significado que faça algum sentido.

Os diminutivos em alemão, sueco e holandês são Lotte, Lottie e Lilo. Estima-se que esse nome tenha surgido – ou pelo menos ter passado a ser registrado – a partir do nome de infância de Elizabeth Charlotte von der Pfalz (1652-1722), uma princesa germânica, irmã de lei do rei Luis XIV da França. A Wikipédia alemã também traz a grafia Lieselotte

Liselotte esteve presente no ranking suíço até 1959, quando ficou no 96º lugar, sendo que estava dentro do top 100 desde 1929. Já na Holanda, Liselotte aparece dentro do ranking holandês desde 2008, quando os dados começaram a serem divulgados, e acabou fechando o ano de 2015 na 393ª posição. 

No Brasil, Liselotte é o nome de apenas 70 pessoas, estas em sua maioria nascidas em São Paulo (24 delas são paulistas), exclusivamente na década de 30 (Nomes no Brasil, Censo 2010, IBGE). Por aqui, inventaram uma grafia alternativa simplificada – Liselote – que é o nome de 121 pessoas, dessa vez concentradas no Rio Grande do Sul – 72 delas são gaúchas enquanto outras 18 são catarinenses - nascidas exclusivamente dentro da década de 50.

A Wikipédia alemã diz que o nome Liselotte começou a ser usado na Alemanha no início do século XX, e se tornou popular em torno da metade da década de 1910, sendo que na primeira metade da década de 1920, estava entre os dez principais nomes femininos usados naquele momento. Depois, sua popularidade foi diminuindo gradualmente, de modo que crianças chamadas Liselotte desde os anos 50 são dificilmente mencionadas.

Sendo um nome germânico, isso pode ser explicado pela influência fortíssima da imigração alemã no sul do Brasil. E por fim, ainda temos 30 pessoas (sem gráficos disponíveis) chamadas Lizelote, com z. É claro que não há nenhum registro constando nas listas da Arpen/SP.

Algumas referências:

Liselotte Grschebina, fotógrafa israelense nascido na Alemanha;
Liselotte Herrmann, uma alemã combatente na Resistência Comunista executada pelos nazistas;
Liselotte Neumann, jogadora de golfe sueca;
Liselotte Olsson, política sueca;
Liselotte Pulver, atriz suíça;
Liselotte Schramm-Heckmann (1904-1995), pintora alemã;
Liselotte, personagem principal da série de mangá “Liselotte and Witch's Forest”.


Liselotte de Booy-Schulze, uma modelo alemã;
Liselotte Ebnet, uma cantora de ópera alemã;
Liselotte Eder, atriz alemã;
Liselotte Malkowsky, cantora alemã e atriz;
Liselotte Rauner, escritora alemã;
Liselotte Welskopf-Henrich, escritora alemã.



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