quarta-feira, 8 de março de 2017

Caim

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Caim é um daqueles nomes bíblicos que ninguém quer usar, fazendo companhia para Judas, por exemplo.  Segundo o Behind The Name, significa "adquirido" em hebraico. Em Gênesis, no Velho Testamento, Caim é o primeiro filho de Adão e Eva. Ele matou seu irmão Abel depois que Deus aceitou a oferta de Abel, em vez da sua.

Na tradução bíblica em grego, temos a versão Kain enquanto na versão hebraica é Kayin, enquanto temos ainda Caín, Caïn, Cain, embora esse último signifique também “belo, justo” em galês.

Mas, por algum motivo que desconheço, há 126 pessoas chamadas Caim no Brasil, é um número bem pequeno se comparado a nomes ultra populares como José, Luís ou João, mas é surpreendente se considerarmos que Caim foi estigmatizado como o nome do irmão “mau” de Abel, o filho de Adão e Eva que teve uma história ruim.

A maior taxa de frequência de pessoas chamadas Caim está no Rio Grande do Sul, e eles foram registrados majoritariamente na década de 1990. O que também surpreende, já que Caim poderia ter sido registrado por pessoas mais antigas.

Quanto à popularidade no mundo, Cain – nessa grafia – está na 742ª posição nos Estados Unidos em 2015. Já no Reino Unido, ficou na 451ª posição em 2010, mas já tinha sido mais popular (ficou por volta do 180º lugar em 2001).

Segundo a Wikipédia, Caim é um personagem do Antigo Testamento da Bíblia, sendo o filho primogênito de Adão e Eva. Era um lavrador. Em hebraico, קַיִן, Caim significa "lança", sendo que a sua transliteração seria "Qayin". Este nome também é associado a uma outra forma verbal, "Qanah", que pode significar "obter" ou "provocar ciúme". Algumas obras associam o nome com a expressão "algo produzido".

Na Bíblia, Caim teria sido um filho de Adão e Eva que possuído pelos ciúmes que sentia do seu irmão Abel, mais amado por Deus e por seus pais, acabou armando uma emboscada e o matando. Depois de ter assassinado Abel, Caim fugiu para a “Terra da Fuga”, à leste do Paraíso, com sua esposa e seu filho, Enoque. Lá ele se empenhou para construir uma cidade a qual deu o nome de seu filho. Segundo a Bíblia, a descendência de Caim teria sido extinta com o dilúvio.

Uma das coisas que mais inspirou a ficção foi a dita “marca de Caim” que ninguém sabe muito bem qual seria. Encontrei um texto interessante sobre isso e compartilho aqui:

De acordo com Gênesis 4:15 Deus pôs em Caim um sinal, para que quem o visse não o matasse. Que sinal era esse?

Caim foi o primeiro bebê deste mundo. Deve ter sido muito lindo, forte e sadio. Talvez sua mãe, Eva, tenha até imaginado que ele pudesse ser o Messias prometido, Aquele que esmagaria a cabeça de Satanás, simbolizado pela serpente. Mal sabia ela que segurava em seus bra­ços o primeiro assassino, aquele que, por ciúme, mata­ria seu irmão, o piedoso e justo Abel. Chamado a se ex­plicar diante de Deus, declarou cinicamente: “Acaso sou eu tutor de meu irmão?” (Gn 4:9).

O relato bíblico afirma que Caim estava com medo de morrer devido a seu crime (Gn 4:14). Isso poderia aconte­cer pelas mãos de algum “vingador do sangue”, que pode­ria ser Adão mesmo ou qualquer um de seus outros irmãos (veja, em Gn 5:4, que ele teve outros irmãos e i rmãs). Então, Deus pôs nele um sinal, “para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse” (Gn 4:15). A palavra “sinal”, no original, é “ôt, e significa “sinal”, “marca”, “emblema”, “símbolo”. Essa palavra aparece também em Gênesis 9:12 e 13, com respeito ao arco-íris, sinal divino de que a Terra não mais seria destruída por outro dilúvio. No entanto, apenas pelo significado dessa palavra hebraica não se pode saber qual teria sido o sinal posto em Caim.

“Alguns comentaristas têm interpretado este sinal como uma marca externa, posta em Caim, ao passo que outros interpretam o sinal como sendo a promessa di­vina de que nada poria em risco a vida de Caim. De toda maneira, não era um sinal de perdão, mas tão-somente de proteção temporal” (E D. Nichol, Comentário Bíblico Adventista del Séptimo Dia, v. 1, p. 254).

R. N. Champlin (em O Antigo Testamento Interpretado, v. 1, p. 47) lista diversas tentativas de explicação para esse sinal, algumas até risíveis:

1. Caim teria se tornado negro e foi o pai das pessoas de pele escura. Essa é uma hipótese nitidamente racista. Na verdade, os negros se originaram com um dos filhos de Noé – Cam (que eram por sua vez descendentes de Sete. Os descendentes de Caim morreram todos no dilúvio);

2. Ele teria recebido uma espécie de tatuagem;

3. O nome de Deus, Yahweh, teria sido estampado na testa dele;

4. O nome “Caim, o fratricida”, teria sido escrito em sua testa;

5. Deus teria tornado Caim invencível – não podia ser queimado, afogado, nem ferido à espada;

6. Uma luz, como o círculo do Sol, o acompanhava por onde quer que ele fosse.

Como se pode ver, nenhuma dessas explicações sa­tisfaz a curiosidade em relação àquele sinal. Contudo, o mais importante não é o sinal em si, mas a razão pela qual Deus o pôs em Caim: foi para que ele tivesse tempo de se arrepender. Percebe o grande amor de Deus pelo pri­meiro homicida? Pena que Caim não tenha aproveitado sua longa vida (talvez perto dos mil anos, como muitos dos seus parentes antediluvianos) para se arrepender, desprezando o oferecimento divino de salvação.

Sobre o casamento de Caim, deve-se dizer que as in­formações são bem escassas. Sabemos apenas que ele se retirou “da presença do Senhor e habitou na terra de Node, ao oriente do Éden” (Gn 4:16) e, nesse lugar, “coabi­tou com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque” (4:17). “Coabitar”, nesse verso, é ter relações sexuais.

Como Caim teria conseguido mulher na terra de Node, uma vez que, segundo a Bíblia, Adão e Eva forma­ram o casal que iniciou o povoamento da Terra? Perceba que o relato bíblico diz apenas que, em Node, Caim teve relações sexuais com sua mulher. Com certeza, já era ca­sado com uma de suas irmãs ou sobrinhas, antes de fu­gir da presença do Senhor (em Gn 5:4 é dito que Adão teve outros filhos e filhas).

No início da história da Terra, não havia problemas com casamentos tão próximos, o que não é o caso hoje, devido às tendências degenerativas no ser humano. Note que Abraão era casado com Sara, sua irmã por parte de pai (Gn 20:12), e Moisés era filho de um casamento entre tia e sobrinho (a mãe dele era tia do marido, conforme Êxodo 6:20). Casamentos com parentes tão próximos fo­ram proibidos por Deus ainda nos dias de Moisés (ver Levítico 18:9-14).

Algumas lições podem ser tiradas da vida de Caim: (1) ira mal resolvida pode levar ao ódio, e este ao assas­sinato, (2) Deus não nos rejeita quando praticamos um ato mau, mas nos dá oportunidade para que nos arre­pendamos, sejamos perdoados e salvos, (3) a piedade e religiosidade dos pais não são automaticamente trans­feridas aos filhos. Com certeza, ajudam no desenvolvi­mento de um bom caráter, mas o fator decisivo é a to­mada de decisões por parte de cada filho, “pois cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus” (Rm 14:12).

– Por Ozeas C. Moura, doutor em Teologia Bíblica e editor na Casa Publicadora Brasileira.





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