sábado, 18 de março de 2017

Candace

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Candace era um título atribuído a uma espécie de dinastia de rainhas guerreiras, mulheres guerreiras que detinham o poder do reino de Meroé, no sul do Egito, pouco tempo antes da era cristã, formando uma sociedade matrilinear.

Em Atos 8, no Novo Testamento da Bíblia, o título é citado quando Filipe, o Evangelista, encontra o um chefe dos tesouros de "Candace, rainha dos etíopes", cujo nome não foi mencionado no texto. Importante esclarecer que na Antiguidade, o termo Etiópia era utilizado para denominar a região onde se situavam os povos negros do continente africano, o que poderia se referir à Núbia do sul de Egito e ao Sudão.

Apenas 24 pessoas no Brasil se chamam Candace, segundo o banco de dados do IBGE (Nomes no Brasil, Censo 2010). Porém, considerando toda a história africana por trás das Candace’s, e toda a ligação brasileira com o continente africano, acho esse nome imensamente adequado para a nossa cultura, nossa ancestralidade negra e a valorização dessa história.

Sobre a história das Candace’s, ainda que não oficial, achei um texto no Blog Ala de Baianas:

A rainha Amanirenas reuniu suas tropas. Se encruzilhou através da primeira catarata da região onde estavam os invasores de sua sagrada terra. Ficou na cima de dois elefantes em um trono especialmente feito para ela. Amanirenas esperou pela movimentação do grego e de seus exércitos. Ele era o maior conquistador da Antiga Idade, suas tropas invencíveis.

Mas Alexandre, o Grande, não queria arriscar uma grande perda nem desistir de sua série de vitórias pelo mundo antigo. Mas temia enfrentar a rainha negra com seus elefantes e exércitos. Neste sentido, Alexandre, retrocedeu. Deu ordem para seus exércitos retornarem para o Egito.

A Rainha Amanirenas, uma Candace, então, comemorou seu feito, fez o maior exército do mundo da época retroceder. Esse episódio não faz parte da história oficial, mas ele é sempre utilizado pelas escolas negras norte-americanas, quando recuperam a história da África.

No reino de Kush ou Cusi (como a Etiópia era chamada por historiadores clássicos), entre o III século A.C. e II século D.C., particularmente durante o período Meroe, as mulheres desempenharam um papel de destaque nos assuntos do Estado, ocupando posições de poder e prestígio.

A consequência natural disso foi o desenvolvimento de uma linhagem de rainhas meroe, que, acabaram entrando para a histórica africana como mulheres poderosas, sábias e guerreiras, e sendo administradoras do reinado daquele país.

Ao contrário das antigas rainhas do Egito, cujos poderes derivavam dos maridos, chamados de faraós, as rainhas da Etiópia eram governantes independentes, na medida em que os Meroe nunca tiveram um rei clássico, de acordo com alguns autores norte-americanos.

Quatro destas rainhas etíopes se tornaram conhecidas como Candace’s, uma corruptela da palavra Kentake. A palavra é uma transcrição do ktke Meroitic, que significa "rainha-mãe". A rainha-mãe desempenhou duas funções importantes na Etiópia antiga, ou seja, garantiu sua linha de sucessória e também consolidou seu poder entre os súditos.

O que pouco se sabe sobre as Candace’s foi aprendido, principalmente, a partir de fontes romanas e, mais recentemente, de escavações, iconografia e inscrições em monumentos de antigos territórios etíopes. Escritores clássicos atestaram a força e liderança das Candace’s. Elas aparecem repetidamente nos escritos de autores clássicos.

São citadas também na Bíblia. É como o fato narrado mais atrás envolvendo Alexandre, o Grande, que tentou conquistar a Etiópia, sob comando de uma rainha de Meroe. Diz a lenda que ela não iria deixá-lo entrar mesmo na Etiópia. Outras informações sobre este episódio histórico:

Dizem que ela avisou-o para não menosprezá-la, porque, elas, as Candace’s, um titulo de rainha passada pelas ancestrais, eram diferentes das mulheres que ele tinha encontrado pela vida, pois, "somos mais brancas e brilhantes em nossas almas do que o branco de você."

Sabemos que, por um período de 1.250 anos (que termina em 350 dC), o reino de Kush das Candace’s floresceu como uma civilização única, e que, o título de Candace existiria há mais de 500 anos. Os historiadores no mundo greco-romano acreditavam que os etíopes foram os primeiros seres humanos na terra.

Em seus primeiros dias, a Etiópia também abraçou regiões a leste do Mar Vermelho, e incluiu alguns dos territórios representados hoje pela Arábia Saudita e Iêmen. Em geral, os etíopes eram chamados na Bíblia de “povo do rosto queimado”.

Historiadores sugerem que a Etiópia é mais velha nação que o Egito faraônico. Em Axum, cidade etíope, o obelisco tem 37,5 metros de altura. É mais alto do que o maior obelisco egípcio. Os sabeus, no Iêmen e na Arábia, foram as extensões do sabeus na Etiópia. O Sul da Arábia fazia parte do reino de Axum, da antiga Etiópia.
Neste sentido, o que sabemos é que as rainhas etíopes foram edificadas para alta estima, ou seja, o cidadão comum nem podia sequer tocá-las, nem poderia mesmo se referir a elas tradicionalmente. Isso deixou as Candace’s em posição de poder/prestígio em relação ao masculino e a população em geral da época.

Na verdade, nos textos antigos, conta-se que essas mulheres foram consideradas esposas dos deuses ou o Deus vivo, porque os Reis que eram filhos dessas mulheres, foram pensados como filhos do Deus Amon. Então, a mãe do governante era o poder.

Por outro lado, essas rainhas eram estrategistas militares inteligentes, mulheres guerreiras. Todas as rainhas eram fortes, tinha grande estatura, e sempre vestidas em melhores trajes.

Estas mulheres foram fortemente respeitadas e reverenciadas em sua terra e em todo o mundo antigo. Assim, cada rainha da Etiópia para esse período foi chamada de Imperatriz Candace ou Imperatriz Kandake. A Rainha, de 332 A.C., por exemplo. Seu nome verdadeiro era Amanirenas.

Depois de uma batalha com o exército romano que invadiu a cidade de Meroe, ela perdeu um olho. Isso não a impediu, por qualquer meio, de lutar ao lado de seu povo para a expulsão dos invasores.

Existe uma lenda: nunca na contemponeidade, a Etiópia foi colonizada por qualquer país da Europa ao contrário de outros países africanos. A Itália tentou, em menos de sua uma semana, saiu do país. A Organização dos Países Africanos foi criada há 50 anos na Etiópia. Todos os grandes congressos afros internacionais são realizados lá.

Já este trecho foi retirado do Blog História e Cultura:

Ao sul do Egito, banhado pelo Nilo, havia o Império Meroe. Era governado por uma dinastia de soberanas negras que exerciam o poder civil e militar. Imortalizadas pela história como Candace’s, estas bravas guerreiras nasceram sob o signo da coragem para ocupar posição de poder e prestígio. Numa forma de conexão com as tradições matriarcais da África, reinavam sobre seu povo por direito próprio, e não na qualidade de esposas.

Viviam o apogeu de uma era de esplendor e fartura, abençoadas pelo grande rio e impulsionadas pelo comércio com o Oriente Médio. A localização do império permitia um intenso intercâmbio com outros povos - hebreus, assírios, persas, gregos e indianos. Em suas terras, ricas em ferro e metais preciosos, ergueram-se pirâmides e fortalezas.

Seus exércitos usavam armas de ferro e cavalaria, ferramentas e habilidades herdadas dos povos núbios, que lhes davam vantagem no campo de batalha. A idolatria daquela civilização pelos cavalos era tanta que estes animais eram enterrados junto com seus guerreiros, para servi-los por toda a eternidade. Esta imagem, misto de homem e cavalo, alcançou a Grécia, inspirando o surgimento da figura mitológica do Centauro. Na religião, cultuavam Apedemek, Deus da guerra e da vitória, representado por um homem com cabeça de leão.

A prosperidade de Meroe, que deu prosseguimento ao domínio Núbio na região, atraiu a ira dos senhores do mundo, o Império Romano. Aqui tem início o episódio que marcou a história das Candace’s.

Líderes de um movimento de resistência contra o poderio bélico dos invasores, enfrentaram o forte exército, aliando técnicas de guerrilha e diplomacia. Uniram seu povo na luta contra o jugo romano movidas pela sede de justiça e liberdade.

Após a invasão de Petronius, a Rainha Candace esperou que as tropas do general adormecessem e os surpreendeu com um ataque. Este movimento abriu a possibilidade para uma negociação diplomática, comandada pela soberana negra. O resultado foi a retirada dos soldados romanos e a demarcação do território de Meroe, devolvendo a paz ao seu povo. Assim foi escrito o mais importante episódio que marcou a nobre dinastia de guerreiras naquele império africano.

Mas os exemplos de comando e resistência de bravas negras continuaram a florescer por outras eras e civilizações. Para além de seus próprios domínios, emergiu a saga das Candace’s, Rainhas Mães que se fizeram deusas, reinando na crença de suas descendentes espalhadas pela Terra, porta-vozes da sua luta por toda a história.


Referências:

Candace Helaine Cameron Bure (Panorama City, Los Angeles - 6 de abril de 1976) é uma atriz estadunidense, conhecida por sua personagem D. J. Tanner, do seriado televisivo Full House. Ela é irmã mais nova de Kirk Cameron e é casada com um russo, jogador de hockey no gelo, Valeri Bure.

Candace Bailey (Birmingham, Alabama, 20 de maio de 1982) é uma atriz estadunidense e uma ex-atleta de ginástica olímpica.

Candace Bushnell (Glastonbury, 1 de Dezembro de 1959) é uma jornalista norte-americana.

Candace June Clark (20 de junho de 1947) é uma atriz norte-americana de cinema e televisão, conhecida como Candy Clark.

Candace Kaye Kroslak, mais conhecida como Candace Kroslak, (Chicago, 22 de Julho de 1978) é uma atriz americana provavelmente mais conhecida por seu papel como Lindy Maddock na novela sueca/americana Ocean Ave.

Candace Ryan Kucsulain, (Anchorage, Alasca, 2 de agosto de 1980) é uma cantora de metalcore e compositora norte-americana. Ela é a líder e vocalista da banda de Hardcore Walls of Jericho.


Candace Smith (1 de fevereiro de 1977) é uma atriz americana, modelo, Miss Ohio e uma participante do reality show competitivo Survivor tendo participado da temporada Survivor: Tocantins;




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