sexta-feira, 12 de maio de 2017

Potira


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Potira é um nome tupi-guarani muito conhecido no Brasil, principalmente através de uma personagem da novela Irmãos Coragem, exibida na Rede Globo em duas versões, a primeira nos anos 70 e a outra no ano de 1995. Na primeira versão, a índia Potira era interpretada pela atriz Lucia Alves, uma escolha bem infeliz já que essa atriz é completamente branca e não tem nenhuma ascendência indígena. Na segunda, foi interpretada pela atriz Dira Paes, que apesar de traços bastante miscigenados tem descendência indígena.

Segundo a grande maioria dos sites incluindo o Dicionário dos Nomes Próprios e o Behind The Name (uma submissão de usuário), Potira ou Potyra significa “flor”. Tem origem no tupi po’türa, que quer dizer literalmente “flor”. Alguns interpretam como "flor d´água". É assim que eles chamam flores como a Vitória Régia, que se mantem sobre a água.

Na mitologia indígena – possivelmente tupi-guarani – Potira é a esposa do índio Itagibá. Ele era um guerreiro, que teve que lutar contra uma tribo inimiga, quando se despediu da índia em sua canoa à beira do rio, Potira, apesar de triste, não derramou nenhuma lágrima pela partida do amado. Todos os dias Potira esperava o retorno de Itagibá na margem do rio, mas muito tempo se passou, e quando os guerreiros da tribo regressaram, seu homem não estava entre eles.

Potira passou o resto da vida chorando e Tupã se apiedou dela, transformando suas lágrimas em diamantes, que foram depositados no fundo do rio. Por isso, de acordo com a lenda, é que diamantes são encontrados entre os cascalhos nas profundezas dos rios.

Apesar da novela, Potira não fez um estrondoso sucesso nos registros do nome. São apenas 333 pessoas com esse nome no Brasil, de acordo com o IBGE (Nomes no Brasil, Censo 2010), com destaque para o Rio Grande do Sul. O curioso é que as duas versões da novela foram exibidas em 1970 e 1995, mas a maioria dos nascimentos de Potira e Potyra foram em 1980. A grafia Potyra é o nome de 44 pessoas.

A lenda dos diamantes.

A descoberta das minas de Diamantes no Brasil deu origem à diversas lendas. Vejamos uma das mais interessantes da região centro-oeste do Brasil:

Há muito tempo, vivia à beira de um rio uma tribo indígena. Dela fazia parte um casal muito feliz: Itagiba e Potira. Itagibá, que significa “braço forte” era um guerreiro robusto e destemido. Potira, cujo nome quer dizer “flor”, era uma índia jovem e formosa.

Vivia o casal tranquilo e venturoso, quando rebentou uma guerra contra uma tribo vizinha. Itagibá teve de partir para a luta. E foi com profundo pesar que se despediu da esposa querida e acompanhou os outros guerreiros. Potira não derramou uma só lágrima, mas seguiu, com os olhos cheios de tristeza a canoa que conduzia seu esposo, até que esta desapareceu na curva do rio.

Passaram-se muitos dias sem que Itagibá voltasse à taba. Todas as tardes, a índia esperava, à margem do rio, o regresso do esposo amado. Seu coração sangrava de saudade. Mas permanecia serena e confiante, na esperança que Itagibá voltasse à taba. Finalmente, Potira foi informada que seu esposo jamais regressaria. Ele havia morrido.

Como um herói, lutando contra o inimigo. Ao ter essa notícia, Potira perdeu a calma que mantiver até então e derramou lágrimas copiosas. Vencida pelo sofrimento, Potira passou o resto da sua vida à beira do rio, chorando sem cessar. Suas lágrimas puras e brilhantes misturaram-se com as areias brancas do rio. A dor imensa da índia impressionou Tupã, o rei dos deuses. Este, para perpetuar a lembrança do grande amor de Potira, transformou suas lágrimas em diamantes. Daí a razão pela qual os diamantes são encontrados entre os cascalhos dos rios e regatos. Seu brilho e sua beleza recordam as lágrimas de saudade da infeliz Potira.

Do livro: Lendas e Mitos do Brasil – Companhia Editora Nacional/ Autor: Theobaldo Miranda Santos. (Pesquisa por Célia Augusto).




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