quinta-feira, 17 de maio de 2018

Uiara

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Uiara é um nome feminino indígena, uma variante do nome mitológico Iara ou Yara, que significa mãe d’água, senhora d’água. Segundo o folclore brasileiro, é uma linda sereia que vive no rio Amazonas, sua pele é parda, possui cabelos longos e verdes, e olhos castanhos. Conforme o site CBHSF:


Uma sereia de imensa beleza que canta à luz da lua cheia, assim a lenda descreve Uiara, a deusa do rio São Francisco.

Pescadores e índios cariris, além de outros moradores locais, prestavam suas homenagens ofertando presentes a Mãe D’água, que com seus longos cabelos parecia agradecer a todos que deixavam presentes para ela.

Quando os tambores, ou torés, rufavam a meia noite o negro d’água aparecia, levava as oferendas para Uiara limpando as águas do Velho Chico num clarão prateado e o momento se fazia mágico.


Também é o nome popular do boto-cor-de-rosa na Amazônia, cujo nome cientifico é Inia geoffrensis, um golfinho de água doce.

Lendas são histórias contadas de geração para geração verbalmente, e, comumente, sofrem variações. Em uma delas, cronistas dos séculos XVI e XVII registraram que, no princípio, o personagem era masculino e chamava-se Ipupiara, homem-peixe que devorava pescadores e os levava para o fundo do rio.   

No século XVIII, Ipupiara vira a sedutora sereia Uiara ou Iara. Pescadores de toda parte do Brasil, de água doce ou salgada, contam histórias de moços que cederam aos encantos da bela Iara e terminaram afogados de paixão. Ela deixa sua casa no leito das águas no fim da tarde. Surge sedutora à flor das águas: metade mulher, metade peixe, cabelos longos enfeitados de flores vermelhas. Por vezes, ela assume a forma humana e sai em busca de vítimas.

O poeta Olavo Bilac compôs o poema A Iara em que descreve a sereia:


Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, Iara
De cabeleira de ouro e corpo frio.
Entre as infeias a namoro e espio:
E ela, do espelho móbil da onda clara,
Com os verdes olhos úmidos me encara,
E oferece-me o seio alvo e macio.
Precipito-me, no ímpeto de esposo,
Na desesperação da glória suma,
Para a estreitar, louco de orgulho e gozo...
Mas nos meus braços a ilusão se esfuma:
E a mãe-d’água, exalando um ai piedoso,
Desfaz-se em mortas pérolas de espuma.


No Brasil, há 1.712 pessoas chamadas Uiara, segundo o IBGE (Nomes no Brasil, Censo 2010), a maioria registrada nos anos 80 – desse total, 1.064 pessoas nasceram dentro dessa década -  e com destaque para o estado da Bahia. A versão Uyara tem 445 pessoas no total. Na lista da Arpen/SP do ano de 2015, contabilizou-se apenas uma Uyara






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