sábado, 2 de abril de 2016

Acauã

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Além de ser um nome indígena, o que já é um ponto positivo visto que resgata a cultura dos nossos antepassados brasileiros, uma cultura tão rechaçada e esquecida, também remete à natureza e à arte. Primeiramente, cabe dizer que Acauã é uma palavra indígena que significa “grande ave de rapina”    em tupi, derivado do termo tupi waka'wã.

Ele remete à natureza por que é o nome de uma ave chamada Acauã (Herpetotheres cachinnans), pertencente à ordem dos Falconiformes, da família Falconidae. Também conhecido como cauã, macaã, macaguã, mAcauã, nAcauã, uAcauã, acuã, gavião-cauã, gavião-couã e maçaguã, todos derivados do mesmo termo tupi.

O pássaro “Acauã” seria então uma espécie de falcão ou gavião que é conhecida pelo seu canto característico e por se alimentar de serpentes.

Existe também um município no Piauí – BR que se chama Acauã, e uma Represa de Acauã, barragem no estado brasileiro da Paraíba, localizada no rio com o mesmo nome. Como referência sobre o nome, temos o cantor Acauã, com três álbuns lançados, mas pouco conhecido da mídia brasileira.

É um nome que remete à arte por dois motivos: é o título de uma música de Luiz Gonzaga, composta por Zé Dantas, e também um conto amazônico naturalista do autor Inglês de Souza, que introduziu a escola literária naturalista no Brasil mediante uma obra voltada para a natureza e a vida amazônicas (Leia a resenha aqui).

Confira a letra da música:


Acauã – Luiz Gonzaga

Acauã, Acauã vive cantando
Durante o tempo do verão
No silêncio das tardes agourando
Chamando a seca pro sertão
Chamando a seca pro sertão
Acauã,
Acauã,
Teu canto é penoso e faz medo
Te cala Acauã,
Que é pra chuva voltar cedo
Que é pra chuva voltar cedo
Toda noite no sertão
Canta o João Corta-Pau
A coruja, mãe da lua
A peitica e o bacurau
Na alegria do inverno
Canta sapo, gia e rã
Mas na tristeza da seca
Só se ouve Acauã
Só se ouve Acauã
Acauã, Acauã...



O Acauã (pássaro) foi objeto de muitas lendas e folclore de origem indígena, que ainda hoje repercutem nas crenças populares. Assim, o canto do Acauã pode ser tanto de bom ou de mau agouro, dependendo da região do país. No folclore amazonense, diz-se que os gritos do Acauã prenunciam a chegada de forasteiros. Em outros lugares, acredita-se que causa a morte de alguém da casa, enquanto em outros, a chegada da boa sorte e da fortuna.

Entre os índios, esse falcão é denominado como Uira, Jeropari, que significa demônio, e na época da postura, põe os ovos em lugares diversos, que segundo a lenda, são chocados pelo diabo. Em algumas partes do México, acredita-se que o canto dessa espécie é um aviso de chuvas fortes. No nordeste do Brasil, diz a lenda que o Acauã cantando em uma árvore seca, o ano será de pouca chuva, enquanto se cantar em uma árvore com folhas, o ano será de muitas chuvas.

Embora a sonoridade desse nome seja única, o que pode causar um certo desconforto ou então estranhamento nas primeiras vezes que ouvimos, ele transmite a mim uma sensação de liberdade, talvez pela associação ao pássaro, que é um dos mais belos e cheios de simbologia entre os povos nativos brasileiros.

O nome Cauã e suas variantes é bem comum no Brasil, e por isso, Acauã pode ser uma opção diferenciada para fugir da popularidade. Enquanto apenas 1 Acauã foi registrado no estado de São Paulo no ano de 2015 (Arpen/SP), Cauã teve 628 registros, somados à 1235 Kauã.


Considero uma excelente opção para quem deseja nomear seu filho com um nome indígena, com um belo significado, ligado à própria mitologia tupi-guarani e ainda, com fortes ligações com a natureza.






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