quarta-feira, 21 de março de 2018

Rudá

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Rudá é um interessante nome ligado à cultura indígena brasileira, segundo a Wikipédia. Na mitologia tupi guarani, Rudá é o deus do amor. De acordo com a maioria das versões da lenda, Rudá vive nas nuvens e sua função é despertar o amor – assim como Eros na mitologia grega ou Cupido na mitologia romana. 

As índias cantam canções para esse deus, em busca de maridos. É uma das três grandes divindades tupis, junto com Guaraci e Jaci. Rudá é responsável pela Lua Cheia (Cairê) e pela Lua Nova (Catiti).

No romance de Mário de Andrade, Macunaíma, o personagem homônimo cita Rudá em uma passagem do livro:

Rudá, Rudá!... Tu que secas as chuvas, Faz com que os ventos do oceano Desembestem por minha terra Pra que as nuvens vão-se embora E a minha marvada brilhe Limpinha e firme no céu!. . . Faz com que amansem Todas as águas dos rios Pra que eu me banhando neles Possa brincar com a marvada Refletida no espelho das águas!...

(...) Rudá! Rudá! Tu que estás no céu E mandas nas chuvas. Rudá! faz com que minha amada Por mais companheiros que arranje Ache que todos são frouxos! Assopra nessa marvada Sodades do seu marvado! Faz com que ela se lembre de mim amanhã Quando a Sol for-se embora no poente! (...)”

Não sabemos ao certo seu significado, mas é provável que seja algo como “deus do amor” ou “divindade do amor”, pela sua ligação mitológica. É um nome masculino forte e com uma personalidade demarcada, já que reflete o mais sublime dos sentimentos – o amor – e ainda, reflete a importância da preservação cultural do país, uma vez que nomes indígenas são símbolos da identidade brasileira.

Uma das maiores referências do nome Rudá é o cineasta brasileiro Rudá Andrade, cujo nome completo é Rudá Poronominare Galvão de Andrade, filho de Patrícia Galvão – mais conhecida como Pagu – e Oswald de Andrade. Rudá Andrade é um dos líderes na implementação do movimento modernista no Brasil.

Quando Pagu e Oswald de Andrade escolheram o nome do filho Rudá, de acordo com o site Dicionário de Nomes Próprios, levaram em conta o espirito antropofágico presente naquele momento, que pretendia reafirmar a identidade cultural brasileira, em oposição aos movimentos homogeneizadores da cultura, típicos da política populista/ nacionalista. No caso de Rudá Andrade, enquanto o primeiro é o deus do amor, Poronominare é um deus cuja principal característica é a malícia.

Se formos consultar o Google Tradutor, no entanto, descobriremos que Rudá (ou Ruda, não pudemos tornar esse detalhe preciso) significa “vermelho” na língua tcheca.

Rudá é o nome de 468 pessoas no Brasil, segundo o IBGE (Nomes no Brasil, Censo 2010), um número bem pequeno em comparação à outros nomes indígenas mais usuais. A maioria deles nasceu no Distrito Federal, e a maior parte dos nascimentos ocorreram nos anos 80 e 90. Pela ousadia, é um nome que pode causar um pouco de estranhamento. A grafia Rudah também conta com 79 pessoas.

Já em termos mais recentes, podemos constatar que apenas 4 meninos receberam o nome de Rudá no estado de São Paulo no ano de 2015, segundo a lista da Arpen/SP.

Referências:

Rudá Ricci, cientista político, mestre e doutor na área, além de Diretor-Geral do Instituto Cultiva em Minas Gerais.

Rudá Franco é um jogador brasileiro de polo aquático.






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