quinta-feira, 10 de maio de 2018

Aruana & Aruanã


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Aruanã, também escrito Aruana ou Aruaná, significa sentinela”, segundo o Dicionário de Nomes Próprios:


Aruana é um nome indígena. É uma variação de Aruaná e de Aruanã, nome de uma tribo de índios. Ainda que não seja possível comprovar, há indicações de que o nome tenha o significado de "sentinela".

Além de ser uma espécie de peixe, Aruaná é o nome dado àqueles que pertencem a essa tribo que teve origem nas margens do rio Juruá.

Segundo a lenda, a tribo surgiu a partir da prece de um peixe que não conseguiu nadar até ao fundo do rio. Por esse motivo, solitário, intercedeu à entidade mitológica que tem o nome de Tupã para que o tornasse humano.

Tupã, considerando o peixe muito valente pelo fato de colocar sua cabeça para fora da água para interpelar a ele, atendeu o seu pedido.

Há fontes que indicam que o nome tem origem na língua indonésia. Teria como étimos as palavras Arwana ou nirwana, cujo sentido que carregam são de "peixes do paraíso".

Os nomes indígenas refletem a identidade cultural brasileira. Justamente por isso, esses nomes sempre foram valorizados e nunca sofreram qualquer preconceito, ao contrário do que aconteceu com nomes africanos, por exemplo”.

O site Dicionário de Nomes Próprios coloca Aruana como nome feminino, mas por interpretação, acredito que Aruanã seja um nome masculino. Aí depende da acentuação.
Na lista da Arpen/SP de 2015 temos dois registros do nome Aruanã, supondo ser masculino. Tem também 2 registros de Aruan, que pode (ou não) ser uma variante deste.

Na ferramenta Nomes no Brasil, do IBGE (baseada no senso 2010), temos 304 pessoas com o nome Aruana, sendo que são 63 homens (supondo que seja Aruanã) e o restante de mulheres. O IBGE não acentuou nomes, então torna impossível saber quantos são Aruanã e quantos são Aruana. O estado de maior frequência é o Paraná, e a década da maioria dos registros é 1980.

Aruanãs, segundo a Wikipédia, são peixes de água doce da família Osteoglossidae, muitas vezes conhecidos como língua-de-osso. Nesta família de peixes, a cabeça é ossuda e o corpo largo é coberto por escamas enormes, formando um padrão de mosaico. As espinhas dorsal e anal possuem leves raios e são longos, enquanto as peitorais e ventrais são pequenas. O nome língua-de-osso é derivado de um osso dental na parede da boca, a "língua", equipada com dentes que mordem contra os outros no céu da boca. Os peixes podem obter oxigênio pelo ar sugando até o saco de gás, que é alinhado com capilaridades como tecido. O pirarucu é obrigado a respirar ar.

Esse peixe é objeto de um mito indígena muito interessante, que encontrei no Blog “Povos Indígenas do Brasil” (outra versão pode ser lida aqui):


Aruanã era um peixe que vivia nas profundezas do rio Araguaia. De vez em quando subia às margens do grande rio, e contemplava a vida humana. Seu ser aquático enchia-se de tristeza, pois pensava que a verdadeira felicidade estava no cheiro do ar, na beleza da terra. Sentia-se perdido e infeliz em viver nas águas e ser um peixe. Sonhava um dia tornar-se homem e correr pela terra seca.

Na festa do Boto, o senhor das águas, realizada nas profundezas do Araguaia, todos os seres aquáticos participavam felizes. Lá estavam a bela Iara e a sua irmã Jururá-Açú, deusa das chuvas, e todos os peixes e habitantes do grande rio, numa alegria radiante. Só Aruanã mostrava-se infeliz, a sentir-se estranho àquele mundo, a lamentar ter nascido no rio e jamais poder respirar o ar.

Ao sair da festa do Boto, Aruanã nadou, nadou, subindo sempre na direção da superfície das águas. Num ímpeto de coragem e determinação em sentir o aquecimento esplêndido da força do Sol sobre a Terra, ele pôs a cabeça de fora das águas. Quase a sufocar com o ar, falou com todas as suas forças de peixe sonhador em busca da felicidade:

-Grande Tupã, senhor da vida e da natureza, na água nasci, mas nela não quero morrer. Se peixe é o meu corpo, meu coração é humano. Tira-me das águas que me faz infeliz e sem sentido, dá-me o ar como forma de pulsar e a condição de homem como realizador da vida.

As palavras de Aruanã saíram tão veementes, que Tupã percebeu o verdadeiro destino do valente peixe e a essência da sua alma. Compadecido, o senhor das matas desceu às profundezas do rio Araguaia, arrebatando de lá o infeliz peixe. Voou com Aruanã, que não podendo respirar, debatia-se no ar. Por fim, Tupã deixou-o no campo, sob os raios intensos do Sol e das brisas suaves dos ventos.

Aruanã debatia-se sobre a relva, pensando que iria sufocar. Não amaldiçoou Tupã, pelo contrário, mesmo sem conseguir respirar o ar da Terra, agradeceu por aquele momento final, iria morrer longe das águas, como sempre sonhara. Fez um louvor ao deus e cerrou os olhos, à espera da morte e da felicidade alcançada.

Comovido, Tupã iniciou a metamorfose do peixe. Em vez da morte, Aruanã viu as escamas transformadas em pele, revestida de pelos suaves que a brisa contornava em desenhos; braços e pernas musculosas davam-lhe o aspecto viril. O ar finalmente chegou-lhe aos pulmões. Sentiu o cheiro da Terra. Olhou emocionado para o seu corpo e sorriu feliz, já não era um peixe, e sim um homem, forte e belo.

-Provaste que tens um coração grandioso e valente. – Disse-lhe Tupã. – Serás um grande guerreiro entre os homens; pai da mais sábia das tribos. Aruanã peixe foste, Aruanãs hás de te chamar como homem. Vá, cumpra o teu destino de homem guerreiro!

Para saldar o belo e jovem Aruanãs, as Parajás, entidades da justiça das matas, vieram e prestaram honras ao guerreiro. Deram a ele uma tribo e as mais belas mulheres. Unindo-se às mulheres, o jovem guerreiro gerou filhos e filhas, dando origem aos valentes Carajás, que formaram uma tribo de índios valentes a viver às margens do rio Araguaia. Todos os anos, por ocasião da Lua cheia, os Carajás realizam o Ritual do Aruanã, prestando, através da dança e do canto, a homenagem justa ao pai da nação Karajá.”






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